7 de abr de 2010

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Entrou no salao. Um salao rústico, antigo, de tetos altos. Embora dourado, estava coberto por uma fina e cinza camada de poeira. A luz da lua adentrava pelas enormes janelas de vitrais. Estava lotado. Montes de casais, dançando uma valsa em perfeita sincronias, parecendo hipnotizados, ela sentia que nada que fizesse iria interrompe-los. Nao tinha a certeza exata se usavam máscaras, mas julgou que sim, porque apesar de conhece-los, nao conseguia reconhecer seus rostos, quem eles eram. Nao perceberam a presença dela. A música invadiu seus ouvidos. Era um tipo de valsa circense, com uma cantora belissima, de vestido vermelho, com uma voz esplendida, embora nao parasse de chorar. Sentiu um calor repentino perto dela. Engolidores e cuspidores de fogo. No teto, equilibristas de panos de todas as cores, bailarinas nas pilastras laterais, contorcionistas com roupas listradas coloridas, todos de semblante indiferente. Uma orquestra perfeita, formada por anoes. Muita comida, embora ninguem comia. Muito vinho, mas ninguem bebia. Palhaços que, mesmo que sorrisem, a maquiagem puxava seus sorrisos para baixo. Faziam malabares com dez bolas, que voavam o quao alto enquanto era possivel.
E de repente, tudo parou. Ela se sentiu confusa, até interromper seus devaneios, e lembrar que deveria dar mais corda na caixinha de joias.
E foi aí que ela percebeu que tudo, pelo mais belo, encantador e fantástico que fosse, nao passava de ilusao.
Baseado em cena do filme Van Hellsing - The BallRoom, and the Devil's Waltz

Um comentário:

Polly Sapori disse...

Cheguei ao seu blog através de um amigo, do Humberto Explica. Gostei, especialmente deste texto que escreve de uma forma poética, sonórica e muito interessante. Insista na arte de escrever, tem talento pra isto.

Depois visite meu blog, também tenho paixão pelas palavras.
http://cremmdeuspai.blogspot.com