8 de out de 2010

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Então ela sorriu para a noite. Nunca foi de gostar de sair a noite, mas sempre gostou de observá-las. Os jovens que a frequantavam, eram sempre bonito, estavam sempre bem vestidos, pareciam estar sempre rindo e se divertindo, com um diferente censo de liberdade. Hoje, ela fazia parte deles. Estava com eles uma semana, e se senti a vontade, simpatizou rápido. O outro riu do seu lado. Ele era magro, e sempre a aninhava no seu peito. Ela não era muito de falar, mas tambem, não parecia precisar. Ele e os amigos dele pareciam gostar dela, ela sempre ria perto deles, e se sentia em casa.
'Hey gente, aqui está começando a ficar mal frequentado. Olha quem chegou' Ela se encolheu, era o ex dela. Ele a traiu cinco meses atrás e eles terminaram. Eles não pareceram perceber, falando mal do ex dela. Riam, imitando-o e as coisas que ele falava. Ela parou pra pensar e começou a rir,pela primeira vez sinceramente, desses ultimos cinco meses. Eles eram ótimos, o panaca do ex dela sempre fazia mesmo as coisas sobre as quais eles zombavam. O carro de mais um deles chegou.
'E aí cara, vamos embora?'- gritaram de dentro do carro, e eles subiram. Um pegou a mão dela, como se fosse dar um beijo, mas beijou a própria mão. 'Boa Noite, Mademoiselle'
Ele a afastou do amigo. Ela percebeu que agora, ele tinha uma garrafa de vodca na mão. 'Afasta aí hein, ela é minha' -e, aninhando-a novamente, deu um beijo no topo da cabeça dela. Ela riu, abraçando-o. 'A vi outro dia perto da fonte, no colégio, estava tão tristinha'- e deu um gole na garrafa, e ofereceu a ela. Ela não costumava beber, porém, aceitou. Chegaram a uma casa estranha, de musica alta, muita gente, luzes dançantes por todos os lados, ela se divertindo, gostando de se acostumar com a cena que parecia tão surreal na vida dela. Ele a guiou para perto da mesa do DJ, ensinando-a a mecher nos botões, e colocou um dos fones de ouvido nela, se aproximou, e olhando-a nos olhos, a beijou e ficaram lá, juntos. Então, ela sentiu algo de diferente, sentia a musica cada vez mais intensa, cada vez mais longe da realidade, levando os dois para longe, as luzes, as pessoas dançando, tudo parecia distante. Sentiu ele pegar na mão dela. Colocou alguma coisa e a fechou novamente. Ela abriu os olhos, abrindo a mão. Ele a olhava sorrindo como que diz 'por favor' , e em seguida, olhou o conteúdo na sua mão, redondo e azul, com tres letras estampadas, abriu um sorriso tímido e o levou na boca, sentindo a musica cada vez mais alta, cada vez mais intensa, cada vez mais longe da realidade.
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E viu as moscas, encantadas com o brilho das lâmpadas. Quando mais se aproximavam, mas se sentiam atraídas e atraídas por ela, e quando a alcançavam, a luz as queimava, e elas morria, uma por uma.
E agora fazia sentido.

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