11 de jun de 2011

3 horas de tédio + ansiedade pra prova da PUC

-Já sei. Dá 146, certo?- disse ela sorridente, com a pincel de quadro na mão. Ele estava corrigindo provas, sentado na mesa. Pegou o livro para conferir a resposta e deu um sorriso amarelo.
-Sinto muito, não.
-Ai que droga, porque sou tão burra?- Ela peguntou com raiva, batendo o pé a baixando as mãos, derrotada. Tinha conseguido uma aula particular com o Sr Dalton, o professor de matemática recém graduado em Princeton de sorriso sexy. Essa aula era tudo que todas queriam, e ela foi a única que conseguiu. Mas só estava provando pra ele o quanto era burra, parabéns. Ele se levantou, olhando para o quadro de braços cruazado, tentando visualizar onde estava o erro. Ele pegou outro pincel e se aproximou da lousa. Ela estava exatamente no lugar certo, sentiu o braço dele passar por cima do ombro dela fazendo de tudo para não se afastar, mesmo sentindo uma corrente fria percorrendo todo seu corpo.
-Você não é burra, o erro está aqui. É simplesmente um erro de conta, querida. Desde quando 328 menos 147 dá 139? É só falta de atenção.- claro, como se fosse possivel ela manter a atenção quando um professor mais velho, tão de modos e inteligente  a chamava tão ocasionalmente de querida. Ela apagou o erro com a mão, corrigindo e baixando o pincel. Encostou sem querer na camisa dele.
-Aí ó não tenho culpa de nada pra você me sujar. Minha noiva me mata.- disse ele brincalhão. Uma lâmpada acendeu na cabeça dela imediatamente.
-Aaah, o professor sabe tudo tem medo de um risco na blusa?- ela riu, de repente, brandinho o pincel na diração dele como se fosse uma adaga. Sr Dalton sorriu com precaução, como se não quisesse e não pudesse evitar de fazê-lo, soltou um 'óóoooh', como quem ameaça, colocando os braços pra frente para impedir que ela o alcançasse, brandindo o seu pincel tambem. Ela se lançou na direção dele, rindo, tentando fazer com que o pincel o alcançasse e ao mesmo tempo fazendo esforço para que ele pudesse segurá-la mais e mais. Ele segurou as mãos dela, tentando impedir, mas se divertindo. Ela era tão espontânea e simples, e tão bela que o encantava. Pedia e a ela que parasse com isso, se afastou. Arregaçando as mangas para que a luta fosse pelo menos justa (não era brincadeira, a noiva dele realmente iria matá-lo, não sabia se seria piro os gritos por ele ter sujado a camisa branca nova que ela dera a ele ou pelos ataques de ciumes), partiu tambem para cima dela, riscando seus braços de cima a baixo enquanto ela tentava revidar e se defender, rindo. Ela sabia, e agora tinha tido a prova que 23 anos não é lá muita coisa. Ela pegou os braços dele, imobilizando-os para baixo. Não é que ele não conseguiria se livrar, mas não tinha conseguido a foça pra isso: eles estavam perto demais. Ela olhou nos olhos deles, os narizes quase se encostando. Ele sentiu o prórpio rosto formigar de vermelho. Ele era tão gracinha assim todo sem graça com a sedução dela. A cabeça dela estava  mil. Ela não estava ultrapassando os limites, estava? Quero dizer, era só uma brincadeira, e Deus, como ela estava gostando de brincar. Para amenizar o clima, baixou os olhos, olhando para as mãos dele. Tinha uma correntinha de ouro na mão que ele segurava o pincel. Examinou-a por alguns segundo. parecia ser meio... feminina. Ela ergueu o braço dele.
-Que linda  sua correntinha. Pode me emprestar? Prometo que devolvo.- Ele ficou sério, aproveitando para baixar as mangas para baixo enquanto ela estava distraida. Ah, aquela correntinha. Até ele assumia que era meio feminino, embora a definição segundo o catálogo fosse 'unissex'. Havia comprado para a noiva dele, a havia levado para jantar e feito toda uma cerimônia sobre um determinado 'presente misterioso'. Ela sorria de orelha a orelha, mas assim que a caixinha se abriu ficou séria de novo, demonstrando que não havia gostado. Soprou apagando as luzes do jantar de velas, murmurou boa noite, e pos o pijama, indo se dormir sozinha. Ele entendeu o recado, e um mês depois a pediu em casamento. Ele já iria pedir de qualquer jeito, mas isso não significava que ela poderia tratar qualquer outro presente que ele escolhi a ela com tanto cuidado como uma merda qualquer. Ele apoiou o braço no alto do quadro, com medo da garota avançar para cima dele de novo. Isso já estava ficando perigoso ele não sabia se poderia pará-la como da ultima vez.
-Sinto muito, não posso -Ela no entanto não se moveu, observava um mecha de cabelo caída nos olhos dele, torcendo para nao ficar vesga.Ela deu um passo pra frente, tocando a mecha dele. Sentiu uma corrente elétrica, torcendo pra que ele não se esquivasse. No entanto, ele não deu nem um passo.
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Ela puxou as mangas para mais perto das mãos. Pincel vagabundo, ela havia saído do colégio como estava, havia chegado em casa e esfregado as marcas por horas para tentar apagá-los. Eles não só não sumiram completamente como tambem deixaram o braço dela todo manchado de tanto esfregar a bucha. Por isso tinha escolhido uma blusa comprida para vir ao colégio no dia seguinte, mesmo que fizesse um puta calor lá fora. Mesmo que ninguem pudesse vê-las ela se sentia culpada, como que escondendo as provas de um crime. Tinha certeza que tinha cismado, porque tinha a impressão de que as pessoas faziam comentários ao vê-la passar pelos corredores. Ela entrou na sala colocando a mochila na cadeira e checando o quadro de avisos para ver se o dia da recuperação havia sido marcado. Era nisso que ela tinha que se concentrar. Estudos, não professores super sensuais, mesmo que ele fosse o motivo do seu péssimo desempenho acadâmico. No entanto leu.
'Avisamos aos alunos da sala 303 que seu respectivo professor de matématica Sr Dalton foi desligado das atividades desse colégio por manter relacionamento não bem vistos de acordo com as normas vigentes nesse colégio. - Ela sentiu o ar saindo dos seus pulmões-. As aulas de matemáticas serão agora dadas...'
Ela não terminou de ler -pouco importava quem deria essa aula estúpida agora- pegou sua mochila e saiu pelo corredor, artodoada. Lembrou-se dela saindo do colégio com os braços riscados, lembrou del esfregando as marcas que não saíam, e lembrou-se da grade do professor que ela havia decorado: ele tinha dado aulas de noite no dia anterior. Não precisava de ser um gênio para ligar tudo. Somente a aborrecia que não a chamaram para falar sobre o assunto, e ela se perguntava se ele não havia negado tudo. Chegou no estacionamento, e diminuiu os passos ao ver o Sr Dalton colocando as ultimas caixas de papelão pardo no porta-malas do carro. Baixou para a mão a mochila que estava no ombro, as tiras de ajuste arrastando no chão. Ele as colocou e se virou pra ela, esfregando a palma das mãos nas calças, desconfortável. Ela mordeu o lábio, reprimindo a si mesma. Não havia pensado em nada para dizer, e egora estava lá plantada, igual uma idiota.
-Professor, eu... -começou ela, sem saber como continuar.
-Sente muito, eu sei.- ele continuou a frase para ela, colocando as mãos no bolso, ainda desconfortável.
-É.- por um segundo, ele achou que ela ia começar a chorar de culpa. Tentou sorrir.
-Olha, não tem problema, juro - e colocou a mão no ombro dela instintivamente, até perceber o que tinha feito.
-Tenho certeza que sua noiva vai ser muito feliz. - ela não pôde evitar, as palavras saltaram da sua boca. Ele havia decidido que não ia se casar (mesmo que ainda quisesse, não poderia depois do escândalo ridiculo que sua noiva havia feito), mas não adiantaria nada contar a ela, porque havia tambem decidido mudar de cidade. Pousou a mão atrás da orelha dela e o polegar nas bochecha, acariciando-a, ela fechou levemente os olhos, suspirando, havia esquecido que tinha que respirar.  Não respondeu nada
-Você é inteligente, seja uma boa garota. -E pousou os lábios na testa dela, com um pequeno beijo. Ela sentiu o perfume Calvin Klein dele misturado com o cheiro de livros velhos.Desceu as mão para o pulso dela.
-E 328 menos 147 dá 181. Não se esqueça disso.- entrou no carro e bateu a porta indo embora. Ela ficou lá, parada, vendo ele se afastar. Puxou a mochila de novo para o ombro com outra mão, com uma certa correntinha de ouro bem feminina balançando do seu pulso excessivamente magro.

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