23 de jun de 2011

Parapeito

É como se eu pudesse sentir o vento frio batendo no meu rosto, como se desse um único suspiro  em busca de ar, como se eu pudesse ouvir os carros lá em baixo. Nunca senti vontade de pular desse parapeito, e não é como se eu quisesse descer, mas por algum motivo me sinto incrivelmente segura lá. Eu poderia gritar seu nome, mas sei que isso não faria você ir lá e pegar minha mão para me fazer descer. Você sabe que é o único que pode me tirar de lá, não ia adiantar nada. Ouço outras vozes chamando meu nome, todas desprezíveis. Mas uma delas em especial me chama atenção. É uma voz que vem suave aos meus ouvidos, murmurando palavras doces. Uma voz que me seduz de forma que eu queria muito me virar e estender minha mão sorrindo para que ele pudesse pegá-la e me fazer descer, mas não consigo. É uma voz bem diferente da sua, que viria áspera, com suas palavras amargas, provavelmente me repreendendo por estar em uma situação tão arriscada, mas que faria com que eu imediatamente me virasse e descesse, como uma criança que recebeu uma bronca. Ou talvez você estivesse preocupado demais. Me lançaria um olhar perdido e me aninharia nos seus braços. Mas eu nunca pularia. E não consigo nem pensar na imagem de você pulando. Pulando sozinho. Sei que tem tambem a possibilidade de você ficar aí e nunca vir. Não acho que isso seja um problema. Eu poderia ceder ao dono da voz doce. Ou poderia criar coragem e descer sozinha. Mas de uma coisa eu tenho mais do que certeza: você nunca pularia comigo.

(Mas não se preocupe gente. Esse é um texto sobre orgulho, coragem e outras coisas sobre as quais eu não tenho controle)

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