13 de out de 2011

Cloudy Days

Ela começou a ouvir música enquanto esperava ônibus, aborrecida pelas 5 horas que tinha passado no colégio fazendo nada. Colocou o ipod no bolso e cruzou os braços.Droga, ia ter que fazer almoço...
-Oi amiga -a cutucaram pelo ombro- Tudo bem? Nossa, não sabe o que aconteceu no fim de semana - ela não fez força para ouvir o que a amiga contava, não estava muito interessada, queria ficar quieta. Mas abriu um sorisso. Não teve que fingir ouvir por muito tempo, seu ônibus tinha chegado. Passou o cartão. Rodou a catraca. Sentou, trocando de música. Não que estivesse realmente ouvindo. Não fazia um dia bonito. Parecia tudo parado demais. Ou talvez fosse só ela... Não pensou em mais nada tambem. Queria dormir, mas não tinha sono. Havia um tempo que ela não saia com os amigos. Todas as horas, os dias, se passavam sem ela se dar conta. A viagem de ônibus passou mais rápido do que ela esperava. Parou alguns pontos antes. Não queria cozinhar. Mas só tinha 3 reais. Foi a uma pastelaria. Por um momento se sentiu um pouco animada. O cheiro dos pastéis prontinhos, cheios de ar, deviam estar deliciosos. Droga, ia chover. Muito, e dali a pouco tempo. 9 quarteirões até em casa. Apertou o passo, a música ainda tocando. A animação não durou. Não reparou muito ao que acontecia em sua volta. A ventania se formava. 8 quarteirões até em casa. Estava assim, não triste, mas apática. O que é pior do que triste. Quando se está triste pode sempre ter os amigos ao lado. Mas quando se está assim não, você está sozinha, não pode contar com ninguem, porque bem, tecnicamente não tem nada de errado. 7 quarteirões até em casa. As gotas começaram a cair. Grandes demais. Ela começou a correr, fazendo esforço para não amassar os pastéis. Não podia colocá-los na mochila, iam virar farelo. Ela sentiu o cabelo começando a molhar todo. Depressa demais. Os pastéis iam ficar frios. Estavam protegidos por uma papel muito fino e leve, e estava começando a ficar molhado. Ela tentou escondê-los, ao mesmo tempo que corria.  6 quarteirões de casa. Sentiu sua roupa encharcando. talvez, se ela corresse um pouco mais rápido. Os pastéis iam ficar molhados. Eram seus 3 reais. Não queria cozinhar. Tinha alguma coisa meio errada. A música ficou mais alta. Ela diminuiu o passo. O papel molhado rasgou. Antes que ela pudesse se mover, os pastéis caíram no chão, sendo tambem molhados pela chuva. Olhou para o que seria seu almoço. A vista embaçou com as lágrimas, os lábios tremeram e as bochechas formigaram. Assim como os pastéis destruídos no chão, ela estava encharcada. Frustrada, com fome e vencida pela chuva, sentou no meio fio, escondeu o rosto entre os braços apoiados nos joelhos e começou a chorar, enquanto a chuva não parava de cair.

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