29 de dez de 2011

smells good.

. Não falaram nada até chegar no apartamento dele. Ela adorava esses momentos que ninguém falava nada e não ficava aquele silêncio esquisito. Era o que ela sempre gostou em Brandon, eles não precisavam de conversar para se sentirem bem.
-Bem, se a nossa despedida foi épica, o reencontro foi mais épico ainda.- ela disse, enquanto ele abria a porta com as chaves.
-É. Boa tentativa, mas você ainda não conseguiu me superar.- ele riu e abriu a porta, tirando uma mecha de cabelo dos olhos, conduzindo-a.
Ele entrou pela sala, largando as chaves no balcão. A pegou pela mão e a conduziu pela cozinha. Ela olhou ao redor, era toda em branco e preto, e tinha um espaço bem maior do que uma cozinha normal. Ela sentou na bancada, cheia de ingredientes frescos. Ela parou e sorriu docemente. Claro que ele estava cheio de comida e iria cozinhar para ela assim que ela chegasse. Ele era um doce.
 -Deus, estou com tanta fome. - escolheu um morango e o comeu.- Você pensa em tudo né? - Ele se alertou. A amiga tinha dito que elas tinham almoçado.
-Sabia que chegaria com fome.- ele sorriu se virando para ela. Ela balançava as pernas suspensas no balcão, mordendo o morango. Não parecia que eles não se viam há dois anos.Ele poderia jurar que a havia visto ontem mesmo.
-Está estudando mesmo?- Ele ligou a boca do fogão, refogando uma massa de macarrão.
-Bem, isso depende. Se você é como minha mãe,  e não considera uma escola de culinária com os melhores chefs do mundo como estudo.. bem, sabe como é, ela nunca está satisfeita.- Ele aumentou o fogo, picando alguns ingredientes do molho.
-Quando você ficar milionário, ela vai estar. E vai contar pra todo mundo. ‘Meu filho é um CHEF maravilhoso. Ninguem cozinha como ele’  ela imitou um sotaque falso, fazendo gestos esquisitos com a mão. Ele riu.
-Poisé. É exatamente disso que eu tenho medo.- Ela riu, jogando a cabeça levemente para trás para que os cabelo saíssem de seus olhos, porque não podia usar as mãos agora sujas de morango.
-Mas e você? Agora que formou, vai fazer o que?- ele perguntou a ela, torrando agora os ingredientes do molho, o cheiro de azeite se espalhando. Passou aquela toalha de mão que os chefs usam no ombro. Ela largou o morango com a pergunta dele.- Os tomates Niki – ele lembrou a ela. Todo domingo  no acampamento ela fazia macarrão com ele. E enquanto o trabalho era todo dele, a única tarefa dela era essa: picar tomates.
-Não sei. –disse ela, bufando, parecendo um pouco desanimada - Acho que nada, e meu pai não está nem um pouco contente com isso.- e acrescentou, um pouco mais animada- Não sou como você, que recebe pedido de todas as faculdades e decide não ir para nenhuma. –ela começou a descascar os tomates, feliz.
-Podia ficar na cidade e estudar comigo.- ele sugeriu, esperançoso. Baixou o fogo do macarrão, esperando que terminasse de cozinhar e foi até ela, ajudando-a a terminar de picar os tomates- Tenho certeza que iria amar Paris.
-Até parece. Não gosto de cozinhar, na verdade não cozinho. Só com você. E, você sabe, eu sou uma perdida.- ela fez uma careta como que diz ‘eu queria não ser uma total inútil’ mas ela não parecia nem um pouco perdida falando nisso, parecia segura. Parecia até gostar de falar isso.

Nenhum comentário: