7 de abr de 2012

disperatamente giulia

'Isabella, deixando-se de envolver emocionalmente o suficiente para extrair o maior prazer de um enamoramento genérico, mantinha na coleira diversos rapaz sem se comprometer definitivamente, concedendo-se aos que lhe agradavam, frequentando os poucos que, segundo ela, tinham os requisitos, para se tornarem prováveis maridos, Isabella era um concentrado de racionalidade e concretude. Era uma daquelas mulheres que pedem tudo e não dão nada.'

'Giulia não sabia dar nome ao sentimento que experimentava por ele, mas queria aquele rapaz com todo o seu ser, e se pudesse expressar num desejo, gostaria que ele voltasse a beijá-la como naquele frio domingo de julho.'

'Sua vida continuava a se como as montanhas-russas: ou a embriaguez da descida ou a ansiedade ofegante da subida; nunca uma ondulação compatível com uma visão equilibrada da existência. Entre um lufada e outra, subitos retalhos de sol e de azul.'

'-Não gostei da alusão à minha mulher- desabafou Leo.- Afinal, você sabia dela. Eu, ao contrário, não sabia de Zairo.
Guilia sequer pensou em se desculpar.
-Bem, agora sabe - desafiou -E, consequentemente, pode tomar a atitude que lhe convier.
Leo interpretou ao seu modo a afirmação de Giulia e a considerou uma espécie de declaração de independência sexual que excitava seua fantasia erótica, mas enfraquecia seu projeto de uma vida regular juntos. Sabê-la inclinada a amores diferentes multiplicava o desejo mas acentuava o ciúme, transformando-o em furor.
-Quantos outros homens existem na sua vida?  - perguntou, ameaçador. -Há muitas maneiras de ser virgem. Provavelmente, você escolheu a pior - ofendeu-a
-Pois é, vou ter de me resignar a ter amado um imbecil - reagiu ela gelidamente. -Um moralista apavorado e covarde que corre a se esconder atrás da saia da mulher.- Eram palavras insensatas, mas eram as únicas que a ira lhe sugeria.- Vá embora! - berrou, escancarando a porta.'

'Giulia fechou a porta devagarinho e cambaleou por um instante, antes de percorrer de volta o corredor, em passos pequenos e lentos. O mundo havia parado e prendia a respiração junto com ela. Era o fim de tudo. Então ela apelou para seu orgulho, que sempre a impedira de desmoronar nas situações difíceis e aviltantes. Caminhou mais rápida e se afastou para sempre de Ermes.'

porque italianos sabem falar do amor como ninguem.

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