21 de set de 2012

Acho um absurdo você me deixar.

Bom, se você veio aqui procurando a homenagem perfeita, você veio ao lugar errado. (Aliás, tenho certeza que o post ficou um lixo, porque não dá pra colocar o que eu sinto em palavras. Se procura um texto 100% sério tambem esquece ! Não consigo ser 100% séria ou triste. Não quando o assunto é o podrasso do Xico ) No meu post de hoje é impossível escolher uma foto perfeita -ou eu teria que por todas-, uma musica perfeita -porque teria desde shakira, passando por camarão com pão, até.... err... valesca popozuda (que não, eu não vou por o link da musica aqui!)-, e é inclusive impossivel colocar um texto perfeito. Porque eu vou falar do que? Falar sobre como você é diferente de todo mundo? Falar de todas as histórias que a gente teve? Falar de tudo o que você me proporcionou? Meu blog é pequeno demais, não cabe aqui falar de tudo isso, ia levar o eternidade. Vou fazer igual você então e falar o que der na telha.

nossa viagem pra Bambuí. 'Vem pra bambuííii..' o Xico falava que era lavagem cerebral
Bem... eu comecei a dançar em 2003. Não posso falar que eu sou um às na dança, porque não sou. Aliás, não posso falar que eu sou a pessoa mais dedicada na face da terra pra dançar, porque nem isso eu sou.  Mas sempre gostei, amei dançar, e sempre dancei só por causa disso. E por causa da dança, e através do Xico, eu descobri no Flamenco um pedaço da minha alma -um povo de dolores y amores, mas acima de tudo um povo de paixão, de colocar coração e alma em tudo que se faz, desde a forma de cantar, tocar e bailar até a forma de viver cada dia.-. E quem conheceu sabe que isso é a descrição do Xico.

Mas não foi só isso, e não foi só técnica de dança. Com ele aprendi a ser responsável, a ter compromisso com as coisas, a ter profissionalismo... Afinal, quantas vezes ele não falava 'vocês não vão sair daqui hoje até isso ficar perfeito!' Puxada de orelha era o que não faltava... se bem que a gente merecia. Mas isso porque ele sempre queria o bem da gente, não aceitava deixar a gente na metade, sendo bailaoras meia-boca. Todo mundo sabe que viver de dança hoje em dia é difícil, é só pra quem tem garra. Mas o Xico conseguiu e a recompensa todo mundo sabe. Não sei até hoje como que ele dava conta de 120 exuzinhas de idade entre 7 e 14 anos em todo espetáculo de fim de ano. Não é qualquer um que teria coragem de entrar nessa não, precisa de muito amor e dedicação mesmo pra dar conta. E de tanto amor, tenho certeza que ele vai ficar muito bem gravado em cada uma das meninas que fazem ou fizeram parte do Tablao Santa Maria e da Cia Andaluz, que agora ficaram os dois órfãos. 


Além de todas essas coisas, o Xico era um ser humano incrível. Ria o tempo todo, que só vendo. Fazia caras e bocas pra cada coisa e sempre tinha uma resposta pronta pra fazer a gente rir. Por isso nem cabe aqui falar de cada risada, de cada piada interna, que cada bobagem, cada aventura, cada coisa 'sem loção' que eu já compartilhei com ele. Todas as viagens, ensaios até tarde, saídas, festas, tabernas, dá vontade de ser egoísta e não contar nada disso pra ninguem, guardar só pra mim. É o tipo de coisa que não tem preço e que a morte não pode tirar da gente.

Graças a deus, eu posso falar que eu não tinha nenhuma pendência com ele. Não deixei de falar nada que eu quisesse, nem prometi nada que eu não tenha cumprido. Mas eu tambem não posso falar que eu esperava por isso. Ninguem esperava. E essa parte pelo menos a culpa foi sua, que deixou todo mundo mal acostumado, dando certeza que ia ficar tudo bem, prometendo o tempo todo que ainda ia rir, dançar e aprontar muito com a gente. Tanto que a ficha não caiu pra mim até hoje, e acho que nunca vai cair. Não vai cair porque você é eterno, não se foi, ainda está vivo através do pouco de você que colocou dentro de cada um de nós.
Vê se eu aguento ! 
O Xico é diferente de qualquer pessoa no mundo, dava pra ver sem nem conhecer ele direito. Ele veio, fez o que teve que fazer: bailou, virou exemplo pra todas essas meninas (inclusive eu), fez a gente muito feliz e se foi. Mas deixou com ele um rastro de saudade. Saudade enorme que não dá pra medir e nem cabe dentro do peito. Porque é horrível pensar que eu nunca mais vou dançar com você, nem vou poder te ver dançar -quem é que vai tocar cajón pra eu dançar agora?-,  nem te ver sorrir, ouvir sua risada gostosa, ter nossas conversas podrassas –quem é que vai me chamar de exu? De índia juruna, de passadora, de prost, de afonsinha?-  ou te ouvir corrigindo ‘não é flamenco, é framengo’. Vai fazer muita falta os seus puxões de orelha, de te ter por perto enquanto eu vou crescendo. Então não tem como você reclamar de me ver chorar, porque igualzinho eu ficava alegre ao seu lado não tem como não sentir a dor da sua ausência.

Gracias Tio Xico, Xiquito, Paco, Passador-mor, Onildo, Xicolinds, Afonsinho, por ter estado presente e por ter feito toda essa diferença na minha vida, e pode ter certeza que eu ainda vou gritar muito sacapuntas e zanahoria no meio da dança, vou fazer muito bom uso de todas essas milhões de coisas que você me ensinou e igualzinho à você, vou bailar até o fim. Te quiero, te quiero, te quiero, mucho, mucho, muchisimo. Nunca vou esquecer a ultima mensagem que você me mandou: ‘A gente é delicioso ! KKKKKKKKK’ E a gente é muito mais do que isso: a gente é pra sempre! 




PS.: Xico, quando a gente conversou esse ano eu lembro que você comentou comigo que mesmo sem comentar, sempre lê meu blog e ri horrores porque eu falo muita coisa 'sem loção'. Espero que você esteja lendo isso agora: Muito obrigada por ter colocado o Humberto no nosso açaí ! Não sei o que seria de mim e da Amandinha nesses últimos dias sem ele. Então acho que o senhor deveria muito agradecer ele, e dar muita paz pra ele tambem viu? Beso grande!

2 comentários:

o Humberto disse...

Dá pra escrever alguma coisa depois disso? Dá?

Te disse no fb, repito, muito obrigado por compreender o Xico tão bem. Seu texto é perfeito. É perfeito.

Eu vi, senti, ouvi o Paco em cada palavra que você disse, amor.

Acabou comigo de chorar, mas obrigado, muito obrigado, sempre, sempre.

S2

o Humberto disse...

Ah, e não nos deixou não. Vai tá sempre iluminando a gente, pode ter certeza. :)