22 de mai de 2013

Hiros, Georges, Kaoris e Yukaris

O Hiro é o clássicos homem para casar: ele é um pouco tímido pra quem não conhece, muito na dele, preocupado, e cuidadoso. Viveu sempre sem precisar de estudar muito, e vai facilmente passar em uma faculdade boa fazendo medicina.  Vai achar uma boa menina para casar, e vai oferecer a ela um relacionamento feliz, duradouro e bem estável.
O George é um filho bastardo de um empreendedor rico. Isso faz dele meio filhinho de papai e pé no chão ao mesmo tempo. Também é muito galanteador, e quanto à isso não presta, igual ao pai. A mãe dele é uma modelo que ficou velha demais (lá pelos 35) para ser modelo, e culpa o filho pela carreira dela ter acabado, já que o teve muito cedo. Por isso as culpas são sempre dos outros. Toda a culpa por ela ser infeliz, frustrada, velha e miserável é sempre culpa dos outros. E a única coisa que ela faz sobre o assunto é reclamar. Não tem paixões e nunca pensou em fazer nada por ela mesmo, novamente achando mais fácil simplesmente colocar a culpa nos outros. Por isso George odeia meninas mimadas, gente que não sabe o que quer e põe a culpa nos outros. Mas por dentro ele é um menino, e só. Ele nasceu para costurar, sempre teve um dom para isso.
A Yukari é uma típica garota normal. Ela está no terceiro ano, e faz cursinho, seguindo o que os pais e a sociedade esperam dela. Ela nunca pensou em fazer alguma coisa diferente disso e nunca teve nenhum sinal de talento em outras coisas para querer fazê-las. Ela tem uma queda por um menino da sala dela. Ma sé só uma quedinha, nada demais, e o nome do menino é Hiro.
Em algum ponto da história, o George descobre a Yukari. Ou melhor, ele descobre a musa de inspiração dele. Yukari é linda, alta, tem os membros largos. Ele imediatamente sente um misto de paixão e admiração por ela. Ela significa os sonhos dele se tornando realidade, o impossível em possível, e como é o instrumento onde toda sua genialidade será construída e representada, um pouco de alter-ego também. Ela é a boneca que ele vai brincar de colocar a roupa e tirar, mas tambem é mais que isso. 'Na época eu não tinha ideia o que significa ser uma musa para um gênio como o George. Ainda hoje eu acredito que não domino plenamente o que isso significa.' Não demora muito para que os dois fiquem juntos, e a Yukari se sinta dominada por toda essa eletricidade -e um pouco de doença- que o George passa só de olhá-la, beijá-la e tocá-la, e ela não consegue fugir disso. Porém para o ideal George, Yukari não se encaixa. Ela só trilha o caminho que os outros dão pra ela, e nunca se questionou sobre o que realmente quer na vida. Por nunca ter achado onde está o seu talento, nunca achou que realmente que tivesse talento para alguma coisa, e duvida da própria capacidade quando George a chama para ser modelo. George decide então que não irá mimá-la, para que ela não acabe se tornando uma pessoa tão fraca e imbecil quanto sua mãe. 'Ela é bonita, mas dá muita dor de cabeça.' Por isso, ele tem pouca paciência para lidar com a insegurança e o jeito da Yukari, muitas vezes a respondendo mal sem sequer perceber. Ele segue tão à risca a sua regra de não mimar, e não correr atrás que a Yukari quase que é obrigada a pedir a ele que ele passe a noite na casa dela -if you know what i mean-, mas é claro que ela também não consegue fazer isso e começa a chorar. Foi aí  que o George percebe que passou dos limites, que ela é só uma menina, que ainda está tentando achar seu lugar, e que não importa se ele acredita estar agindo da forma x pelo bem dela. Ele também está cansado em não poder demonstrar nunca o tanto que gosta dela. Eles brigam, brigam e brigam. No meio de todas essas brigas, algumas coisas valeram muito a pena. 'Esses são  todos os vestidos que eu já fiz. Todos eles são extremante importantes para mim. Por isso, você pode usá-los' 'Adoro o jeito como o George nunca vira de costas par mim enquanto dorme', e mais um anel de borboleta azul, colocado 'de propósito' no dedo anelar. E é claro, mais brigas e mais brigas e mais brigas.
A Kaori está bem longe de ser uma garota normal. A familia dela não tem condições, e por isso ela dá muito duro pra pagar o curso de costura. 'Eu não vou perder para um filhinho de papai que nem você, George.' Ela sabe o que quer, e dá o sangue por isso. George tem um respeito imensurável por ela, e não só nunca usaria as mesmas palavras duras e más que ele usa com a Yukari, como também nunca precisaria. Ele tem um carinho muito mais humano por ela, como se mantesse os olhos nela mesmo sabendo que ela nunca precisaria de sua ajuda. Ela brinca que ele é filhinho de papai, mas tambem sabe todas as preocupações e problemas dele, e por isso torce para o sucesso dele tanto quanto o dela. Ela não se sente intimidada perto dele: brinca, xinga brincando, bate brincando e faz ele rir. Ela é a única pessoa na face da terra com quem o George é capaz de parar de agir com toda essa sobriedade e seriedade dele, e só relaxar e ser um cara normal. Ela seria o tipo de de garota ideal para o George, e não que ele não tivesse tentando, mas ela está bem além disso. Ela sabe que ele é problema e é preocupada demais com suas roupas e sua carreira para ocupar a mente pensando sobre isso. Mas ela sabe que não importa o quê, mas se um dia ela precisasse de alguma coisa, ele atravessaria o planeta para ajudá-la.
No fim, eu acredito que o George amava as duas o mesmo tanto (ou se não, atrevo-me a dizer, a Yukari um pouco mais). Mas eram tipos de amor diferente. Com a Yukari era mais profundo, mais doentio, e um pouco menos humano e mais sobre natural. No fim, a Yukari e o George sabiam que não importa o quanto amassem um ao outro, simplesmente não daria certo. Seria o tempo todo a Yukari aborrecendo-o com o jeito dela, e estando sempre infeliz por ele a tratar tão mal e se arrepender depois. Era como se ela soubesse que precisava dele, e soubesse que na verdade ele a amava sim, mas enquanto ele não demonstrasse ela não estaria satisfeita.  A Kaori era uma igual, era o tipo de garota que ele queria e que 'Era muito especial porque nunca quis dar pra ele', coisa que ele tem a cara de pau de falar com a Yukari um dia. No fim, Yukari ficou com a paixonite dela, Hiro, com quem provavelmente viveu tudo aquilo que afirmei que o Hiro seria capaz de proporcionar. Uma coisa bem diferente do George. É claro que eu também poderia falar que a Kaori tinha mudado de ideia e ficado com o George, mas eu no fundo espero que ela tenho conseguido algo melhor do que isso.

E no fim, a caixinha com a chave do quartinho onde o George guardava todos seus vestidos feitos até aqueles 18 anos de idade -e sendo assim, parte da alma dele- vai para a musa. Porque musa na vida de um gênio que nem ele é uma só.


'Semana que vem vou para a Broadway ver um espetáculo em que o George é figurinista. Ouvi dizer que é uma comédia, mas tenho certeza que vou chorar.'



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