29 de dez de 2013

um pouco sobre 2013

(Dezembro chegou. O que significa que não importa o quanto eu estive ausente no blog esse ano, eu vou aparecer por aqui!)
Para o bem e para o mal, 2013 foi um dos anos mais marcantes da minha vida. Se até hoje eu dizia que 'eu sou a mesma de 2008', pode-se dizer que esse ano, alguma coisa mudou.
Para começar eu não consigo me lembrar de absolutamente nada do primeiro semestre desse ano. Isso porque tudo só começou a acontecer depois que eu comecei a trabalhar, em junho. Aliás, uma coisa específica que foi a causadora de tudo isso. Assim como eu esperava, e previa, eu fui aprovada para a vaga de intercâmbio que eu queria. Até aí tudo lindo. Meu pai já tinha avisado que eu não iria mesmo se fosse aprovada, mas mesmo assim eu criei esperanças de que ele cedesse. Não aconteceu. Eu decidi então que claro, eu ia fazer acontecer. O problema não estava exatamente em trabalhar, já que isso eu já estava pensando em fazer há um pouco mais de um ano. Mas a situação agora era diferente. Antes o dinheiro não era nada demais: eu ia dar umas aulinha de ingles aqui, fazer um evento ali, e pagar minha saidinhas de sábado. Agora já não era mais assim: se eu quisesse viajar, eu teria um determinado período de tempo x, para juntar umas quantidade de dinheiro y. Isso era claro: qualquer coisa que estivesse ao meu alcance de experiência e habilidades -aulas de inglês, eventos bilingues, ou até mesmo um estágio na minha área- não chegava nem perto de me dar o retorno financeiro que eu precisava. Me vi frente à uma única opção: trabalhar em shopping.
Esse semestre então me fez conhecer o meu maior medo desde que eu me entendo por gente: a solidão. Ao conversar com amigos, parentes, familia e colegas de faculdade é que a ficha cai; estamos mesmos sozinhos nesse mundo. Ninguem parecia entender porque eu estava me sacrificando de 5:30 da manhã às 2 da outra manhã, trabalhando até as 22:30, dormindo 3 hrs por noite e vivendo de uma ou duas refeições por dia com uma folga na semana, para conseguir um intercâmbio. Sinto que para os amigos a represália foi ainda pior. Eu não culpo eles. Afinal, porque uma menina que tem de tudo, que o pai sempre deu tudo, que já esteve duas vezes nos EUA, ia estar enfrentando uma rotina dessas para passar 6 meses na Espanha? Pior ainda, em um 'emprego de shopping', coisa pela qual ninguem que é da mesma classe social vai ser obrigado a passar? (a não ser que seja como temporário de natal para pagar o carnaval de diamantina, porque essa é a circunstância aceitável) 'Porque o pai dela não paga e pronto?' 'Aposto que se faltar dinheiro o pai dela vai completar' 'Ela só não implorou pra ele o suficiente'. Ninguem parecia entender. Eu não estou juntando todo o dinheiro eu mesma porque eu quero -estou longe de ser altruísta assim-. Meu pai tem o dinheiro. Ele não paga meu intercâmbio porque ele não quer. Tambem não é pela história de 'a vida toda eu te paguei tudo filha, pare de ser mimada e dessa vez pague você, não te banco mais.' Quem dera, eu queria que fosse, mas não é. O motivo tambem não cabe falar aqui, porque não é isso o que importa. O que importa é que ninguem dava a mínima se eu ia conseguir juntar o dinheiro ou não, se eu realmente ia conseguir o que eu mais quero no momento para minha vida ou não. Mesmo de onde eu recebi o maior apoio (minha mãe) não dava pra fazer muita coisa. Se eu não conseguisse ela só ia falar 'ai tainá, que triste que não deu' e pronto.
Tambem quero deixar muito claro que isso não é uma queixa, e que não estou de mimimi aqui. O que a gente mais lê na internet hoje em dia é que a minha geração cresceu mimada, e por isso se frusta facilmente, desencadeando crises de depressão porque eles nascem achando que merecem tudo e por isso são incapazes de lutar por alguma coisa, viram bebês chorões e todo esse blablablá. É claro que pessoas diferentes vão reagir de formar diferentes às coisas. Eu sempre falo que não importa o tipo de situação a gente passa, tudo serve pra tirar proveito (flashback da despedida da Lelê: 'Discordo, tem coisa que não é assim' disse o jean. 'Se a pessoa for estuprada por exemplo?'. A Lelê respondeu: 'ela vai aprender que a sociedade é escrota' Hahahahaha. Isso não vêm ao caso.). No meu caso, essa solidão -ou pseudo-solidão, já que eu não estava sozinha, mas só me sentia assim (se não me engano, tem gente que diz que solidão é isso mesmo, 'se sentir sozinho mesmo que não esteja', então agora estou confusa) me fez crescer e pensar muito na minha própria vida tambem. Solidão sempre foi o meu maior medo por ser filha única e meus pais serem mais velhos. Na minha cabeça, se eles morrerem eu vou ficar sozinha e por isso, eu deveria logo ter a minha própria familia. Mas no fim, o que tem uma coisa a ver com outra? Não existiram desde sempre irmão que se odeiam, que se matam, ou se são indiferentes entre si? Ter tido um irmão então não me livraria necessariamente do medo da solidão. Em meio a esse tipo de sentimento tambem cheguei a me questionar se um namoro me ajudaria a enfrentar esse tipo de situação. Teoricamente é pra isso que um relacionamento serve não é? Para se apoiar a fim de alcançar qualquer objetivo em comum. Mas isso muito teoricamente, porque qualquer tipo de relacionamento está muito longe de se limitar a isso. Além disso, ter alguem para te apoiar só ajuda a ter certo ponto, porque não acredito que ter alguem falando no seu ouvido 'continue, que você vai conseguir' realmente aumente suas chances de conseguir alguma coisa. Pode sim tornar toda a coisa mais cômoda, mas esse suporte é uma ilusão. Além disso, mais de uma vez me ficou provado que relacionamento ao invés de ajudar poderia apenas piorar a situação. Principalmente para mim, que já não tenho muita paciência para isso. Sem tempo nem pra me dedicar aos meus peguetes, isso estava fora de cogitação.
A faculdade começou tambem a me preocupar. Caiu a ficha que metade já se foi, e só faltam dois anos pra eu me formar. Apesar desse semestre eu ter amado o meu curso mais do que nunca, comecei a me questionar o que eu vou fazer com ele. Mas não foi isso o que me preocupou. O que mais me deixou frustrada foi perceber o quanto eu me senti despreparada. Pior do que isso, eu me senti despreparada, burra e incapaz. Sei que eu não sou nenhuma das duas coisas, mas eu estava indo às aulas só para dormir e não tomar falta e estava estudando só a matéria para passar logo em tudo. Faltei a duas apresenteções de trabalhos pensando 'foda-se se tirarem meu nome, eu só quero acabar com isso logo.' Não preciso nem falar que isso não é relações internacionais né, exige dedicação. A falta de compromisso me deixou desgastada e desapontada. Por outro lado, foi um dos semestres em que mais me saí bem em relação às notas, e amém por isso.
Sabe aquela história de que a vítima acaba apaixonando pelo sequestrador? (vide 'Atame' do Almodovar) Acontece porque ao mesmo tempo que ele é a causa de todos os problemas, ele é tambem o único capaz de salvar a vítima. Ele é o vilão e o herói ao mesmo tempo. O trabalho virou isso pra mim, e eu tambem acabei me apaixonando. Se ir pra puc era horrível, porque eu só conseguia pensar no quao insatisfeita eu estava, ir pro trabalho era maravilhoso porque era o único lugar que eu podia relaxar, distrair e me ocupar com alguma coisa que não me cobrasse. Mas o ponto central da minha vida era o trabalho? Não, é a puc. O trabalho era o vilão da história, porque era ele que me impedia de me dedicar ao que realmente me importa. Vieram muitas outras coisas sensacionais com o trabalho... a minha (ex) gerente é o máximo em exemplo de liderançae eu nunca teria nada para reclamar dela. Tambem aprendi muito sobre mim mesma e meu perfil profissional... tinham coisas que eu já sabia desde a época do Xico ou da YMCA -como por exemplo que eu odeio gente que reclama do que faz ou de quem dirige uma tarefa. se está insatisfeito não reclame, caia fora, oras.-, mas aprendi outra novas, como por exemplo que eu sou muito facilmente adaptável à mudanças, ou que embora eu tenha uma resistência quase infinita à pressão psicológica -obrigada ao 'botão fodas' por isso-, minha resistência à pressão mental e física é bem mais limitada, e chega um ponto que eu começo a ficar meio desatenta..... Tambem que aprendi que ao mesmo tempo que ter gente que quando tá cheteado vive pondo máscara pra forçar sorriso, comigo acontece o contrário. eu posso estar chateada o quanto for, não consigo manter a cara por muito tempo. Depois disso, eu acredito que todo mundo deveria ter, pelo menos uma vez na vida, o tipo de experiência de ter um trabalho assim. Só não sei dizer exatamente o porque, ou o que isso acarretaria. Talvez seja só pelo prazer de quebrar o padrão 'colégio particular-faculdade-estágio-'emprego aceitável', pelo 'think outside the box'. Eu sei que alguma coisa deve mudar. Trabalhar até as 22 tambem me trouxe uma coisa nova: um semestre inteiro dedicado à noite. Se eu quisesse sair, só podia ser pra balada. Se em todos os ano anteriores as minha noites eram divididas em 'noites boas', -aquelas que nao tem nada de especial-, e 'noites excelentes' -aquelas que são realmente excelentes-, esse ano não teve meio termo. Ou eu tinha noites péssimas, horriveis, que eu me sentia tremendamente mal, ou aquelas excelentes, em que tudo dava certo. Com o tempo fui percebendo uma coisa: as noites perfeitas eram aquelas nas quais eu pensava 'hahahahaha foda-se tudo, bora chapar', e as noites péssimas eram aquelas nas quais eu estava simplesmente dormente. Com o tempo, eu fui percebendo que isso é o famoso 'recalque'. Pode parecer engraçado, mas é a única palavra que eu consegui. Eu saía com meus amigos, e aí, do nada, eu que sempre fui o ser mais sociável do mundo, me via infeliz sem nenhum motivo aparente. Do nada, eu me sentia inteiramente insatisfeita. O que é estranho. Apesar de trabalhar, estudar, quase não comer e dormir, eu não teria motivos para estar insatisfeita. Porque afinal, o sacrificio, é termporario nao é? Porque no fim, eu vou viajar não é? Porque tambem fui eu quem escolhi passar por essa situação, não é? Porque eu via, todos os dias, exemplos de pessoas que estavam piores do que eu, não é? Minha situação não era de todo ruim, e estava bem longe de estar. Então, porque eu estava insatisfeita? Ou melhor, com o que eu estava insatifeita? Talvez essa sensação estranha fosse só cansaço físico e é isso....
O cansaço físico tambem me levou a muitas crises loucas. (uma delas aqui, e a pseudo-solução que eu tentei achar pra elas aqui) Essas crises loucas me desencadeavam um choro que eu nem sabia que era possivel ou que existia. Sabe, na vida toda eu chorei porque estava chateada, ou porque queria alguma coisa, mas nada parecido com isso. Nessas crises loucas eu começava a chorar do nada, sem  motivo e em qualquer lugar. Mesmo. No ônibus, no banho, no estoque do trabalho, no shopping... e é do tipo de choro que não adianta nem tentar segurar, já vem te fazendo soluçar, vc tem que respirar fundo pra se acalmar por 5 minutos pra conseguir parar, e qualquer leve pensamento que passe de leve pela sua cabeça faz ele recomeçar, e vc vai pondo pra fora um tanto de coisas que nem vc tinha ideia que tava sentido [????] . Parece meio confuso, mas é mais ou menos isso. No início eu fiquei mesmo preocupada se eu não tava ficando meio obcecada ou surtando, aí eu descobri que é super comum quem e faz o combo impossivel do estudar+trabalhar passar por essas crises louca, e depois disso elas diminuiram (ah freud e a histeria natural às mulheres...).
Um fantasma do meu passado tambem não me deixava dormir em paz.... era sonho atrás de sonho, mês após mês, e a culpa só foi crescendo e crescendo.... Não sei se ainda vou fazer -ou se dá pra fazer- alguma coisa a respeito, mas com certeza me levou a uma grande reflexão. Existem vários tipos de relacionamento e e sentimentos que ficam perdidos entre os conceitos de carinho, amizade, amor, orgulho e carência e que não se encaixam em nenhuma dessas categorias.
Em um outro caso, as coisas tambem mudaram. Eu sou meio teimosa com as coisas, e quando decido que elas são de um jeito, elas vão ser assim e pronto. Depois de dar tanto murro nessa ponta de faca, e juntando com o meu cansaço de trabalhar e estudar, eu resolvi não teimar mais, mas sim aceitar uma coisa que eu já sabia a muito tempo. Pra mim, antes, desistir ou aceitar uma coisa com a qual eu não quisesse concordar -seja por orgulho ou sei lá o que- não era uma opção porque eu simplesmente não era esse tipo de pessoa. Surpreendentemente, aceitar essa coisa  só me deu paz. Eu finalmente podia ver a situação com mais clareza e racionalidade e me senti incrivelmente melhor quanto a essa situação. O que não significa que eu vá 'aceitar' mais coisa facilmente a partir de agora, hahaha.
Por outro lado, mais uma coisa inesperada tambem aconteceu. Quem me conhece sabe que os padroes que eu tenho no momento pra estabelecer um relacionamento (pelo menos no momento) com alguem são dificeis -pra nao dizer impossiveis- de se alcançar. (são poucas pessoas que tem a felicidade única na vida de ter algum tipo de relacionamento comigo. sou mandona, mimada, exigente, caprichosa e quero atenção o tempo todo. a recompensa? meu bem, estar comigo já é uma super recompensa). Esse ano aconteceu de uma pessoa totalmente me surpreender nesse sentido. Ela conseguiu não só alcançar, mas superar totalmente os padrões, em um ponto que eu achei que não merecia toda atenção, estava sendo mal agradecida, e me senti inclusive culpada. Por favor, uma pessoa tem que ser muito genial pra conseguir fazer isso. Você nunca na vida vai saber que essa pessoa é você (que bom! ia se achar demais!! ahhaha) (se é que você está lendo isso), mas obrigada.

Nossa, o nome do post não cabe mais aqui né? era 'um pouco' e isso não é... bem... pouco. Eu sei que no fim esse post deve ter ficado melancólico ou dramático demais ou parecendo que meu ano foi uma merda, mas acredite, não foi assim, e eu não me sinto nenhum pouco assim. (por exemplo, 2009 sim foi um bosta). Mas eu cresci, me sinto mais velha e mais adulta. Não me sinto mal, mas se eu for parar pra pensar não vou achar bom nem gostar disso ! hahahahaha (o que é pessimo, porque pra mim, envelhecer significa perder a rebeldia do que quer dizer ser jovem. o que significa que você vai se acostumar a aceitar as coisas e viver uma vida muito mais de bosta do que se vc não se acomodasse com as situações, mas lutasse contra elas. tá confuso né? enfim, esse video aqui diz um pouco sobre isso.)

Bom, no fim de uma coisa eu posso ter certeza: A minha 'promessa principal' do ano passado para esse ano COM CERTEZA foi cumprida. Eu realmente não investi e nõa tive tempo pra homem nenhum, só que não foi por escolha, foi por obrigação !!! KKKKKKKKKKKKKKK Só me lembrem de nunca mais desejar isso de novo, quero minha vida de volta !!!!!

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