14 de abr de 2014

reality.

Ele esticou os braços, deitado de bruços, jogando a mão por cima do criado mudo. A levou na orelha.
-Alô- disse, sem nem abrir os olhos.
-Oi. To na porta da sua casa. Abre aí pra mim.- Ela cruzou os braços sobre o casaco. Estava frio e o taxi já tinha ido embora, deixando ela na rua deserta. Ele encheu os pulmões de ar, se obrigando a levantar tropeçando. Foi até a sacada do quarto e viu ela lá em baixo. Encostou na parede.
-Jenna, eu já te falei, não...
-A gente não precisa de fazer nada. Só... me deixa passar a noite aí. Por favor. Prometo não fazer barulho.-Ela interrompeu ele.
-Vou abrir.- desligou o celular. Foi até a cozinha de samba canção e clicou o interfone. Foi à sala e destrancou a porta. Apoiou o braço no umbral da porta, passando a outra mão no rosto tentando acordar. Esperou que ela subisse.
-Oi. Graças a deus, morrendo de fome.- Ela disse, sussurando. Ela foi entrando, passando por de baixo da braço dele, sem parar pra cumprimentar nem ou menos olhar pra ele. Ela já usava outro tom de voz, diferente do telefone. Estava animada e positiva, nenhum traço de desespero ou carência. Ele trancou a porta, bufando. Com certeza ia ser uma noite longa. Ela seguiu direto pro quarto dele, largando a bolsa no chão e sentando na cama. Ele a seguiu, apoiando na porta. Ela olhou pra ele.
-Não estava com fome?
-Estou.
-Venha. Vamos fazer alguma coisa pra você. Não tem mais ninguem em casa.- Respondeu ele lendo a mente dela. Ela se levantou e foi até ele.
-Ai, ótimo. Odeio ter que falar baixo.- ele não se moveu de frente da porta.- Anda logo, não ia me fazer comida? - ela olhou nos olhos dele, erguendo as sobrancelhas. Ele olhou pra baixo, fixando o olhar no dela por um segundo. Em seguida abriu um sorriso.
-Sim, vou. Vamos lá.- ela passou por ele e ele a guiou, com as duas mãos nos ombros dela. Ela sentou na cozinha, e sentou na banqueta.
-O que vai querer?
-Hm... um pão com queijo quente. Tem? Pode ser?
-Aahn.... aham. - disse ele, enquanto começava a remexer na dispensa. Estava meio nervoso. Não tinha muito assunto pra falar. Passou a manteiga, colocou o queijo e fechou a misteira. Em seguida olhou pra ela, pensando em um assunto ou alho pra falar. Então ficou supreso. Não precisou. Ela estava com a cabeça nos braços, apoiada na mesa. Dormia. Ele esperou em silêncio. Serviu o pão.
-Jenna.... Jenna.- ele cutucou o braço dela, e ela levantou o rosto, meio assutada.- Seu pão. - Ela coçou os olhos enquanto suspirava. Comeu o pão, a maior parte do tempo em silêncio.
-Meu Deus, isso está muito bom. Obrigada.
-De nada.-Ele respondeu.
-Nate? -ela perguntou, olhando pra ele.
-Ahn?
-Eu disse obrigada. Sério. - Terminou o pão. Ele sabia que ela já não estava falando mais da comida.
-Relaxa, não tem problema.- Ela sorriu, enquanto levantava e levava o prato até a pia. Ia começar a lavar. -Pode deixar isso comigo.
-Cala a boca, eu quem vou lavar. - Disse ela, quanto batia nele de leve com o quadril, rindo um pouco. Ele riu e se afastou. Ele esperou. Ela terminou e eles foram até o quarto. ele deitou na cama, puxando a coberta. Ela tirou os brincos e o colar, ficando de blusa e o short fino que usava por baixo da saia. Levantou e apagou a luz. Deitou, virando de costas pra ele e puxando a coberta. Ele continuou virado pra ela, mas mantinha distância. Ela queria tentar dormir, mas não conseguia. Com os olhos abertos, ela foi surtando aos poucos. Se sentia mal, não sabia o que estava fazendo lá, queria ir embora. As lágrimas começaram a rolar dos olhos dela. Ele suspeitou.
-Jenna?- abraçou-a, passando a mão pela cintura dela. Ela sequer se mecheu. - O que foi?- Ela tentou segurar as lágrimas. Mas assim que começou a falar, não conseguiu.
-Eu não devia ter vindo. - Ele apoiou a mão na cabeça, ficando um nivel acima da dela. Tirou o braço que estava na cintura dela e cutucou o ombro dela de leve.
-Hey, olha pra mim.- ela tentou enxugar as lagrimas colocando o rosto no travesseiro, e então se virou pra ele. Não tinha conseguido disfarçar muito bem. Ele a olha nos olhos, levemente molhados. Ela responde o olhar, seu lábios levemente entreabertos.
Ele abaixa o rosto, encostando os lábios nos dela. Poe a mão no rosto dela e pede passagem, aprofundando mais o beijo. Por um segundo ela corresponde. No segundo seguinte, empurra o ombro dele, afastando-o.
-Nate, não.... não é isso o que eu quero. Não desse jeito- ela volta a olhá-lo nos olhos.
-É, eu sei- disse ele, simplesmente.-Ele encostou a cabeça no travesseiro, mas voltou a passar o braço pela cintura dela. Ela virou de costas pra ele, mas pos o braço e a mão por cima do dele. Não chorava mais. Simplesmente dormiu.
Quando ele acordou, três horas depois, ela já não estava mais lá.

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